
Há algum tempo, recebi um convite gentil de um amigo para degustar algumas cervejas artesanais em um bar de primeira: o Bier Markt. O ambiente é excelente e a carta de cervejas é sensacional. Uma boa cerveja artesanal é algo que não tem nenhum paralelo com as cervejas que fazem parte da cultura cervejeira nacional (via-de-regra a mais barata o mais gelada possível).
São cervejas bem elaboradas, com sabores complexos e muitas delas bem encorpadas (degustávamos cervejas cujo teor alcoólico andava pela casa dos 8%). São um pouco mais caras que aquelas que encontramos em todos os armazéns da redondeza, mas a diferença de preço e de características sugere que se beba com um pouco mais de moderação. O velho papo qualidade vs quantidade.
A única nota negativa, por assim dizer, que eu gostaria de fazer menção refere-se aos comensais. Assim como no “boom” do vinho no Brasil nos anos 90, o crescimento das discussões sobre cervejas artesanais traz consigo uma revoada de chatos. Detesto aquele clima iniciático, onde os cultores da nova seita dividem o mundo entre eles próprios, os iluminados, e o resto.
Quando o vinho e a cultura do seu consumo “cabeça” começou a se tornar uma febre, era comum vermos “connaisseurs” girando a sua taça em círculos, não raro servida de vinhos de qualidade suspeita, e descrevendo-os com metáforas de gosto duvidoso e poesia barata. Agora, com o papo da cultura cervejeira, há um candidato a burgomestre em cada esquina, cheio de si e com uma imensa ladainha prontinha, na ponta da língua.
Há em Porto Alegre diversos bares para se tomar uma boa cerveja e jogar uma conversa fora, tais como o Bier Markt, o Água de Beber e tantos outros. Eu gosto mesmo é de tomar uma cervejinha no conforto do lar. Se gostas da socialização, opções não faltam. Mas cuidado, os chatos estarão sempre à tua espreita...